Carregando...

Carregando...

Carregando...

Selecione uma opção

Por favor selecione um Sexo para comprar!

Bem-vindo(a) à Farfetch, faça login ou cadastre-se

Tendências & Subculturas

sábado, 18 de março de 2017

Da androginia à moda genderless

Compartilhar

Quando Julia Roberts surgiu de terno e gravata na cerimônia do Golden Globes, em 1990, ela trouxe para o mainstream um conceito milenar na história da moda: o genderless.

 

genderless

O salto alto, por exemplo, foi inventado para que os homens tivessem um melhor encaixe dos pés durante as montarias. Foi só no século 16 que as mulheres passaram a usar o calçado, quando Catarina de Médici introduziu a peça em suas produções. 


Muitos séculos depois, o estilo andrógino ajudou a construir a fama de grifes icônicas como Rick Owens e Comme des Garçons (que pode ser traduzida para o português como “Igual aos Meninos”). Hoje, a moda sem gênero aparece cada vez mais forte no DNA de novas marcas. Seja pela sensação de liberdade que traz, seja pelo conforto que proporciona. Ou uma mistura dos dois.


Os pioneiros do gender bender


O termo andrógino diz respeito à combinação de características masculinas e femininas e serve para descrever algo, ou alguém, que não pode ser enquadrado em apenas uma das categorias. Diferente do genderless (ou sem gênero), para um estilo ser andrógino, ele deve apresentar traços de ambos os sexos. 


Na trajetória da moda moderna, a androginia despertou como tendência nos anos 30, quando as musas de Hollywood Katharine Hepburn e Marlene Dietrich chocaram a sociedade ao trocar vestidos deslumbrantes por calças e camisas. Dietrich, aliás, foi pioneira em aderir ao look boyish, ousando de terno completo e cartola.


Seu espírito visionário ajudou a preparar o universo da moda para receber o gender bender nas passarelas em 1966, quando Yves Saint Laurent criou o le smoking, um black-tie adaptado para as mulheres. Em seguida, foi a vez de Halston mostrar ao mundo o seu shirt dress – uma variação moderna e feminina da tradicional camisa masculina.


Os anos 60 transformaram calças, casacos, camisas e blazers em peças-chave do guarda-roupa feminino, mas foi na década de 70 que o estilo tomboy revolucionou permanentemente a forma como nos vestimos. 

 

O movimento punk revelou musas como Patti Smith, Grace Jones e a estilista Vivienne Westwood, que finalmente levaram para as ruas uma estética andrógina que não deixava de ser sexy – além de terem influenciado fortemente designers da geração seguinte, como Ann Demeulemeester e Neil Barrett. 



Da androginia à moda unissex 


Com o passar dos anos, o look foi evoluindo nas mãos –  e tesouras – de grifes com propostas bem variadas. Enquanto a marca japonesa Comme des Garçons perpetuou na década de 80 o famoso mix de jaquetas masculinas escuras e vestidos ultrafemininos em tons nude, o estilo genderless de Helmut Lang veio neutralizar totalmente os códigos de gênero, criando uma estética sem babados e sem barreiras.


Nos anos 90, o designer austríaco inovou ao apresentar suas coleções masculinas e femininas na mesma passarela, e sua moda se destacou pelo foco unissex que trouxe a peças funcionais. No universo de Lang, a ausência de detalhes decorativos e proporções extravagantes abriu espaço para o investimento em tecidos extremamente confortáveis, transformando suas criações minimalistas em objetos de desejo para mulheres que não estavam nem um pouco interessadas em demonstrar fragilidade.


Em vez de decotes, por exemplo, a grife adota recortes misteriosos para criar uma feminilidade menos óbvia. “Acho um insulto insistir para que homens e mulheres se encaixem num determinado perfil. Nunca entendi isso. Gostamos que as mulheres sejam femininas, mas com muitas possibilidades", explica o estilista.



Geração gender neutral


Em uma coluna intitulada “Geração Gender Neutral”, a editora internacional da Vogue, Suzy Menkes, afirma que o look hoje passa longe de ser um statement ou uma provocação. “Antigamente, as mulheres estavam rompendo normas para competir com os homens no mercado de trabalho e usar ternos com saltos altíssimos era parte de um processo de afirmação. Hoje em dia, não há mais necessidade de agressão na androginia.” No texto, ela conclui que o que antes era a moda unissex, hoje é a forma normal como as pessoas se vestem. 

 

A prova de que os fundamentos genderless foram abraçados pela moda atual é que as coleções da Helmut Lang continuam atemporais, com suas cores descomplicadas e cortes lineares. Para 2016/2017, a grife aposta em camisetas casuais com ombros bem soltos e jaquetas sem manga, equilibrando slip dresses discretos e peças com estampas suaves.


Expoente mais urbano do no-gender, Alexander Wang é celebrado por sua releitura cool e moderna. Um look típico da grife nova-iorquina pode incluir bermuda de alfaiataria, brogue e blazer, ou calça de moletom e blusa cropped estruturada.


Jonathan Anderson, por sua vez, trouxe inovação à tradicional marca espanhola Loewe. Celebrado pela sua filosofia sem gênero, ele repaginou designs históricos da grife com formas mais fluidas, criando uma coleção boêmia e livre – tanto de imposições de gênero como de estações do ano.  

 
Vivienne Westwood também continua levantando a bandeira que ajudou a popularizar. Em um de seus recentes desfiles em Paris, ela trouxe homens vestindo looks femininos e mulheres exibindo peças de alfaiataria, finalizando a apresentação com uma noiva de terno e um noivo de vestido.

 

Suzy Menkes pode estar certa sobre o momento atual da androginia, mas ainda existem algumas provocações a serem feitas nesse debate. E ninguém melhor para provocar do que a eterna rainha do punk.

 

Gender Neutral
País da entrega Seu pedido será enviado para Brasil e o seu pedido aparecerá em BRL R$ .
Ocorreu um erro durante a busca de países ou regiões

Aguarde

Nossa Política de Cookie

Aguarde

An error occurred while fetching the content