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Tendências & Subculturas

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Tendência em alfaiataria feminina

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Lanvin, Céline, Chloé, Saint Laurent. Basta olhar para as passarelas que não restam dúvidas: a alfaiataria feminina está mais presente do que nunca nas tendências das próximas estações.

 

Ela não demanda mais o tempo necessário para se fazer uma roupa sob medida nem carrega a sisudez dos anos 10 – quando nasceu em versão feminina para que as mulheres pudessem trabalhar nas fábricas quando seus maridos eram enviado aos fronts da Primeira Guerra Mundial.

 

Pelo contrário. A história da alfaiataria tem novos capítulos escritos década a década e agora – sobretudo para o próximo inverno – são os detalhes que contam.

tendencia em alfaiataria

A moda alfaiataria

 

Inicialmente dois nomes foram responsáveis por levar a alfaiataria da posição de vestimenta útil para o status de objeto de desejo. Ainda na década de 10, quem deu o primeiro passo foi o estilista Paul Poiret, que libertou a mulher do espartilho e passou a desenhar vestidos inspirados em casacos masculinos. Nos anos 20, Coco Chanel usou o guarda-roupa de seus namorados para criar roupas que lhe dessem liberdade de movimento – e calças pra poder montar cavalos, sua paixão.

 

Com a chegada da Segunda Guerra Mundial, a mulher retomou o mercado de trabalho e os costumes bem cortados ganharam até Hollywood, sobretudo na figura simbólica de Marlene Dietrich. Desde então, blazerscalças sociais, camisas e costumes não saíram mais do imaginário das grandes grifes.

 

Meio século mais tarde, designers como Stella McCartney ainda honrariam a tradição tipicamente inglesa da alfaiataria, enquanto Alexander McQueen preferia extrapolar em versões ousadas. Nos anos 90, ele chegou a criar um costume feminino com chifres de alce nos ombros e incluiu um homem vestindo tailleur de saia lápis em um desfile de moda feminina.

 

Mesmo com a nova direção de Sarah Burton, as roupas de alfaiataria permaneceram na identidade da grife, assim como a inspiração rocker de McQueen. Já no contexto asiático, Yohji Yamamoto e Comme des Garçons trouxeram ainda uma outra maneira de romper os padrões da alfaiataria, desconstruindo looks e trazendo um toque punk para as peças.

nova alfaiataria feminina

Terninho brasileiro


Do lado de cá do globo, Alexandre Herchcovitch se tornou um dos ícones da nova alfaiataria. E não só na marca que levava seu nome. Quando esteve na direção criativa da Cori, que até então tinha uma assinatura mais clássica, passou a incorporar elementos despojados, como estampas, em blazers e calças sociais.


Já Reinaldo Lourenço e Gloria Coelho seguem uma linha mais tradicional, porém não menos criativa. Ele trouxe detalhes para as lapelas e subverteu os abotoamentos, criando linhas assimétricas. Gloria, dando sequência à alfaiataria minimalista do último verão, trouxe para o inverno a inspiração do tartan escocês, além de casacos estruturados e vestidos tubinho com recortes.

Alfaiataria brasileira

Minimamente andrógina


São esses detalhes, justamente, que dão a cara da alfaiataria do século 21. Na coleção primavera-verão 2017, por exemplo, a Lanvin apostou nas matérias-primas: um blazer de paetês preto e uma calça de seda off-white são bons exemplos do que se viu na passarela. A Saint Laurent ficou com a androginia de um maxicolete, com o efeito teatral de uma camisa de couro e com a ousadia de um blazer alongado, de um ombro só, transformado em vestido.

 

O ombro também foi o centro das atenções do desfile de inverno 2017 da Balmain, graças aos volumes amplos e aos recortes aplicados ali. Outras marcas que trouxeram um ar contemporâneo à alfaiataria foram a Chanel, com seus prints metálicos e brilhantes que cobriram um costume branco, e a Schiaparelli, que propôs um tailleur estampado em azul royal, combinado a botas over the kneealaranjadas.

 

Afinal, não é porque nasceu masculina – e sóbria – que a alfaiataria não pode ser repaginada e atualizada para as mulheres que vivem em 2017.

alfaiataria moderna
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